Por
onde anda meu amigo Pensamento? Ouvi dizer que não dar mais notícias, estar no
Bairro Cárcere da cidade da Alienação do Meio ao centro do país, que fica perto
da Vila do Conformismo Intelectual. Difícil situação essa amizade se encontra,
talvez ele esteja vivendo uma nova amizade que encontrou na “terra do sendo
comum” (apelido da cidade que ele se encontra) um novo amigo, uma nova essência
para conversar. Sei lá.
É
horrível imaginar sua situação, ouvi boatos de que lá não se planta idéias, não
se germina criatividade, pois o meu amigo acha que a vida é o que ele ver, o
que é imagético aos seus olhos, como um fim revelado onde tudo estar
condicionado ao que aparenta ser. Meu amigo foi para uma cidade sem criação,
mas apenas reprodução do que herdou dos habitantes anciãos.
Ele
imitar virtudes, desvirtudes, comportamentos que lhe condicionam seu gênero,
sua religião. Reproduz valores do meio, por isso talvez o codinome dessa terra
que ele habita ser o que é, fazendo me lembrar de um outro amigo de outra
cidade, seu nome é Rousseau que atribuía ao meio a corrupção dos entes na
horripilância da irracionalização, refletindo no lugar onde se encontra meu
amigo Pensamento. Meu amigo estar encarcerado sem grades, sem sentinelas, estar
em quarentena inerte. Não é semeador de proposições, mas imitador da
coletividade em falsas verdades.
Nessa
terra a necessidade de agradar reina, de ser o melhor e ser visto, sendo a vida
de meu amigo apenas seu narciso, seu ego por ver o seu ser o outro enaltecer. A
solidão dele é tão grande que mendiga a alegria fazendo esforço para ter falsas
companhias. Ele é assim, só se sente confortável quando outros iguais a ele o aprovam
confortando sua consciência, já que onde a maioria reina o errado passa a ser o
vivenciado. Esse deleite ilusionário alimenta sua leviandade criando falsas
versões da sua própria singularidade.
Hoje
finalmente encontrei com ele nas esquinas do inesperado, vi o Pensamento me
abraçar, contar como é aquele lugar. Começou falando da sua submissão a mera
imitação, disse que onde estava era um deserto sem liberdade ou como uma eterna
escuridão como na caverna de Platão (meu outro amigo desde a Ágora, mas de
outra cidade) falava que não vivia, só reproduzia, por isso estava aprisionado
fazendo devassidades daquilo que achava que era a realidade. Pus-me a indagar:
Ou será se não era eu que estava preso na ilusão de estar livre? Ele disse que
não, pois, mesmo sem saber o que era a verdade e a realidade continuava a
pensar e que agora ele entendia que isso era vivenciar e não imitar (acho que
fez amizade com Descartes). Pensamento me reencontrou quando me fiz
elucubração, e hoje na frente do espelho me vi em perfectível transformação.
Renato Jr 20.01.2018.

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